A LANTERNA NA POPA

“Mas a paixão cega nossos olhos, e a luz que a experiência nos dá é a de uma lanterna na popa, que ilumina apenas as ondas que deixamos para trás.”

Samuel Taylor Coleridge

Neste Blog iremos comentar o livro A LANTERNA NA POPA do gênio da economia brasileira: Roberto Campos.

Roberto Campos afirmava que em nenhum momento havia conseguido a grandeza, mas em todos os procurou escapar da mediocridade. Queremos provar que ele estava enganado, pois a todo momento da história foi correto, mas o contexto histórico e os líderes brasileiros não estavam intelectualmente capacitados para entender a grandeza dele. O Brasil seria um país mais desenvolvido economicamente se tivesse seguido os passos que Roberto insistia em defender e que, as poucas vezes que conseguiu implantar o que acreditava como consequência crescemos muito.

O economista passou por várias fases no poder. Como estadista foi auxiliar, diplomata, ministro e senador e, em todos os momentos, defendeu um país liberal e próspero. Com uma visão única e global, sabia criticar perfeitamente a política do país e, apontar os erros que nos fazem sofrer hoje. Pode-se notar ao longo dos artigos neste blog, como a nossa história teria sido mais próspera e atualmente enfrentaríamos menos problemas políticos e econômicos.

A LANTERNA NA POPA conta a história dos bastidores do poder. Roberto Campos nos passava a visão das decisões que estavam sendo tomadas e para onde o Brasil ia se direcionando.

Roberto afirmava que o Brasil tinha tudo para atingir a grandeza, mas patinava na mediocridade. Defendia que há países naturalmente pobres, mas vocacionalmente ricos; existem países que têm riquezas naturais, porém parecem ter vocação à pobreza. Defendia também que claramente o Brasil seguia esta última ideologia, como se parecesse antes uma pobreza consentida, resultante de mal gerenciamento e negligência na formação do capital humano.

Na defesa de uma política pseudo-comunista e construção de uma falsa economia populista, os brasileiros tentam socializar os meios de produção e buscar a igualdade, o que gerou um país burro, pobre e violento. O resultado disso é o país atual, com uma massa de trabalhadores falida, poucos empreendedores e líderes capazes de gerar riquezas e empregos, pois perdemos competitividade num mundo cada dia mais globalizado

A história de Roberto Campos começa em meados 1938. Pode-se notar ao longo dos artigos que serão divulgados neste Blog, problemas que se repetem tanto no âmbito econômico quanto político, justamente por não termos construído bases sólidas.

Da rua da relação à rua larga, neste capítulo começa o livro A LANTERNA NA POPA. Roberto Campos chega ao Rio de Janeiro, onde morou numa pensão na Rua da Relação, depois de um seminário mal sucedido, entretanto, conseguiu obter base educacional para ele chegar aonde chegou.

Era a época no auge da repressão Vargas, falava-se de mortes e torturas de prisioneiros. A ditadura varguista teve de aperfeiçoar a tecnologia da repressão, pois enfrentara a intentona comunista, em 1935 e, depois, o putsch[1] integralista, em 1938.

Getúlio Vargas era, para Roberto Campos, uma figura distante, um pouco diabólico, às vezes paternal, mas sempre intimidante. Quando ele chegou ao Rio, vindo do interior para grande cidade, Getúlio, com a implantação do Estado Novo, em novembro de 1937, completava sua longa manobra conspiratória em busca do poder ditatorial. Vargas obteve apoio militar para seu projeto de centralização do poder, contra o comunismo.

Um tema bastante atual, não acham? Evitou o radicalismo de esquerda, implantando o radicalismo de direita.

Roberto Campos foi morar num quarto com três outros hospedes. Segundo ele, o preço era barato, mas isso se justificava pela penúria das instalações. Ele foi em busca de algum emprego que pudesse garantir-lhe renda e, assim, iniciou sua carreira na cidade grande como professor de latim. Entretanto, não era o que almejava, porém da mesma maneira pôs-se à caça de emprego mais confiável.

Segundo ele, as oportunidades econômicas eram muito mais escassas que hoje e, o governo, sem dúvida, o empregador mais importante. A solução que encontrou foi fazer um dos vários concursos públicos que o recém-criado DASP[2] estava organizando com parte da reforma administrativa.

Roberto começou estudar intensamente para os concursos e, naquela época, mudou de pensão e foi para Rua Larga. Passou a viver numa república estudantil perto da rua do Catete, no Flamengo, com dois primos. Foram ambos marxistas juvenis, (talvez por um certo complexo de culpa, pois os pais tinham amplas fazendas no pantanal mato-grossense). Foram proibidos de visitar as fazendas do pai, por conta da ideologia comunista. (Os garotos com terra procuravam mobilizar os sem-terra).

Assim termina o primeiro capítulo desta obra prima: A lanterna na POPA, que iremos contar resumidamente no Blog e, assim, iremos conseguir comparar com o momento atual do país. Chegamos à conclusão de que a história é cíclica e evolui somente quando nossos líderes vencem a inércia da ignorância sistêmica coletiva.

Faça a prosperidade acontecer!

 

[1] Golpe, ou tentativa de golpe, com o objetivo de tomar o poder, não raro com a participação de militares e baseando-se em conspiração secreta.

[2] Departamento Administrativo do Serviço Público.

 

Yossi Harel, Administrador de Empresas, Pós-Graduado em Finanças Corporativas pela UNICAMP, Gestão Empresarial e Gestão de Recursos Humanos pela FGV e Gestão com Responsabilidade Social pela USP

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